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sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Me Wo Tojite 3-Byou

Vixe, quase que fiquei sem o que postar! Finalmente vou escrever sobre Me wo Tojite 3-byou, que é um mangá que eu já li e reli algumas vezes e nunca lembro de parar e escrever sobre. Também é um trabalho da Aniya Yuiji, a mestra suprema das expressões faciais. 

Chibana Manabu tem o hábito de fechar os olhos e contar até três quando ele está triste ou irritado e precisa retomar o controle. Ele faz isso desde a infância, em muitos momentos para evitar explodir com seu pai, que é uma travesti, ou para suportar os sentimentos que têm por seu amigo, Kaji Hiroto. Ao contrário de Chiba que é muito quieto e tem dificuldades em se expressar, Hiroto é descontraído e alegre. Os dois aproveitam seus dias juntos na escola e por sempre estarem juntos, desde pequenos, nunca imaginaram que precisariam se separar. O pai de Chiba decide que irão mudar de cidade e as dificuldades de Chiba e Hiroto em se comunicarem acaba destruindo essa amizade.

Ou melhor, a deixa na geladeira. Quatro anos se passam até os dois voltarem a se falar, com o retorno de Chiba à cidade que costumava morar. Um aspecto positivo desse mangá é que temos tanto a perspectiva de Chiba como a de Hiroto e vemos que o grande problema dos dois é sua dificuldade em se comunicarem. Enquanto Hiroto é insistente e costuma ser quem toma as decisões na dupla, ele também tem dificuldades de falar o que sente, especialmente porque fica frustrado por Chiba nunca lhe expressar nada e suprimir suas emoções ao fechar os olhos e contar até três. Sério, no lugar do Hiroto, eu teria dado um tapão nas costas do Chiba e dito um "desembucha, criatura!". 

Esse mangá desenvolve bem sua história e personagens, enfatizando muito as emoções. Como eu disse: a Aniya Yuji é a mestra suprema das expressões faciais e, mesmo esse sendo um trabalho antigo dela, podemos ver esse talento em toda essa glória nesse mangá. Acho fantástico como ela consegue transmitir as emoções desses personagens, muitas vezes sem nem utilizar muitas palavras. O ritmo da história é lento. Não acho que isso seja um problema, porque combinou com a história, que é sutil.

  

Eu gosto bastante da arte dessa autora, mas confesso que nos primeiros capítulos parecia que ela ainda estava se acostumando com os personagens, então, conforme a história avança, a arte vai se adequando mais. Apesar de os personagens serem um pouco frustrantes, porque tudo poderia ser resolvido facilmente se eles não fossem tão enrolados, acho que também são divertidos e engraçados, sobretudo o Hiroto. Acho que o doujinshi complementa perfeitamente a história: ele dá ao Chiba a chance de mostrar que consegue criar coragem e dizer o que sente. Além de ser extremamente pervertido, um quesito que o mangá não cobre. Vou dar nota "9".

A tradução em inglês foi iniciada pelo Moon In a Box e finalizada, inclusive o doujinshi, pelo acme. Em português, é projeto do Boys Love Scanlations.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Drops

Eu adoro quando um autor conhecido por seus trabalhos em um gênero resolve se aventurar em outro. Falei de autoras de yaoi desenhando shoujo antes e vou adicionar mais uma a lista: Aniya Yuiji. No caso, não sei como classificar esse mangá dela. Imagino que, por Drops ter um tom mais maduro, seja um josei.

Cada capítulo desse mangá foca em um dos irmãos da família Matsuno, que consiste em quatro meninas e um menino, que também é o caçula. Matsuno Shizuku é um menino gordinho e o escravo de suas irmãs. Ele está apaixonado por uma amiga sua, Yoshiyuki, que, por sua vez, gosta de Miyamoto, o melhor amigo de Matsuno. Mukai, outra amiga do trio, acaba armando para Miyamoto e Yoshiyuki ficarem juntos, fazendo com que Matsuno se sinta traído e só consolide a crença que ele já tem que as mulheres são um incômodo.

No capítulo seguinte, as gêmeas Kaede e Momiji levaram a sério demais a recomendação de sua mãe sobre "sempre dividirem tudo", pois agora elas estão em busca de um namorado que aceite namorar as duas ao mesmo tempo. Tsubaki, a próxima irmã, é uma escritora e mãe solteira, que havia fugido de casa e retorna agora depois de seus pais terem falecido. Ela tem um relacionamento sexual (onde podemos ver todas as gloriosas expressões faciais que a Anija Yuiji desenha tão bem) com Andou-san, seu editor, que acaba se transformando cada vez mais num relacionamento romântico. Aí vem a irmã mais velha, Hisagi, que ficou responsável pelos mais novos depois do falecimento de seus pais e do sumiço da Tsubaki. Ela sempre se viu cheia de responsabilidades e tarefas, mas agora, com seus irmãos já crescidos e cuidando das próprias vidas, ela se vê, finalmente, independente e livre. Acho que essa é a mais interessante das histórias, pois Hisagi nem sabe muito bem o que fazer com sua liberdade. Ela por fim acaba se envolvendo com seu chefe (23 anos mais velho), por gostar de provocá-lo.

No final, temos um epílogo, mostrando como os personagens ficaram com o passar de alguns anos. A Hisagi continua seu relacionamento com o chefe, eventualmente se casando com ele. Temos a Tsubaki, agora, casada com o Andou e com mais um monte de filhos. As gêmeas trabalham com S&M, ainda em um relacionamento poliamor com Minoru.  Shizuku acaba emagrecendo um monte e reencontra Mukai no casamento de Miyamoto e Yoshiyuki. Os dois ficam juntos, ele engorda tudo de novo, e terminamos a história com a Mukai revelando que está grávida! Eu achei o final um amor.

  

Eu achei muito interessante ter a perspectiva de cada um dos personagens, sendo cada qual bem diferente do outro. O final que Aniya Yuiji deu para cada um deles foi bastante satisfatório (o das gêmeas foi o mais exótico, mas, ainda assim, combinou com a visão desapegada de sexualidade e amor que elas têm). O ponto forte é a arte, que é muito bonita. Fico sempre boquiaberto com a habilidade que a Aniya Yuiji tem em fazer expressões faciais. Quando um personagem dela chora, não é aquele clássico "expressão congelada, lágrimas escorrem" que adoram fazer nos mangás. A Aniya Yuiji desenha todo o rosto se compondo na expressão, desde os lábios trêmulos ou em um beicinho, até a testa franzida, os olhos entreabertos, lágrimas... É incrível! Vou dar uma nota "9" para esse mangá.

Foi licenciado e publicado virtualmente em inglês pela JManga, que faliu. Pode ser encontrado por aí na internet, é só saber onde procurar.