Mostrando postagens com marcador nota 9. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador nota 9. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Happiness

Apesar do título significar "felicidade", Happiness não é nem um pouco alegre. É um mangá sobre vampiros que usa de elementos clássicos para retratá-los: brutais e sedentos por sangue. Está apenas no comecinho, mas já tem muito, muito potencial de ser uma excelente leitura.

Okazaki Makoto é um aluno do colegial tímido e retraído. Ele tem apenas um amigo próximo e acaba sofrendo bullying de seus colegas, especialmente Yuki e sua namorada Nao que o forçam a fazer tarefas para eles. Uma noite, ele decide sair para devolver um DVD à locadora e vê uma pessoa no topo de um prédio. A pessoa, do nada, o ataca, mordendo-o no pescoço, e pergunta para ele se ele quer morrer agora ou se quer ser um monstro como ela. Okazaki, antes de desmaiar, diz que não quer morrer ainda...

Assim, ele acorda no hospital. Mesmo estando tudo bem com ele, apesar de ferimentos leves, e de receber alta, Okazaki não se sente nem um pouco bem. Constantemente com sede, ele também sente um cheiro delicioso vindo de algumas pessoas. Ele só se dá conta do que é quando, irritado com os colegas que fazem bullying com ele, dá um soco na cara de Yuki. Okazaki sente o impulso de lamber o sangue e aí percebe que há algo muito, muito errado com ele. Procurando um local calmo para se esconder dos colegas, ele conhece Gohou, uma menina tímida e excêntrica que diz que Okazaki é parecido com o irmãozinho dela. Os dois acabam fazendo amizade, sendo um momento de paz em que Okazaki pode se distrair da sede de sangue e vontade de matar que sente constantemente.

Okazaki deseja reencontrar a pessoa que o atacou, uma menina que ele conhece apenas como Nora. Surpreendentemente, ele também faz mais alguns amigos na escola, Yuki e Nao, que até pouco tempo o maltratavam. Eu achei que esse mangá fosse ficar por aí, com Okazaki tentando esconder dos amigos e de sua família que é um vampiro e tentando descobrir mais sobre os vampiros. Entretanto, esse momento de calmaria dura pouco e logo a história avança rapidamente, ficando progressivamente mais brutal e tensa.

  

Geralmente, histórias de vampiro modernas me decepcionam, sobretudo mangás. Happiness é a exceção a regra. Até o momento está muito boa a história. Okazaki precisando aprender como viver com um vampiro e tendo de decidir se deve ficar com sua família e amigos ou ir para um lugar longe, já que agora ele se alimenta de sangue. Também aparece uma agência aparentemente do governo que caça vampiros. São elementos clichê, mas que foram muito bem empregados nessa história. Os personagens são interessantes e parecem realistas, mas o grande ponto é o estilo de desenho do autor. A forma que captura momentos dramáticos e o jeito que ele decidiu ilustrar como é a visão de um vampiro, com branco cegante durante o dia e formas pitorescas a noite. Nota "9" e estou muito interessada em ver como as coisas irão se desenvolver. Quem gosta desse tipo de história, como Tokyo Ghoul também, irá gostar de Happiness.

Tradução do MangaStream em inglês.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Oneshot: Watashi-tachi ha “Byplayer”

Pessoalmente, eu nunca gostei muito dos mangás ou doujinshi da Harada. Eu até leio, mas a grande maioria deles é não é muito do meu gosto... São perturbadores até demais pra mim, sendo que eu leio muita coisa bizarra! Só que essa oneshot é muito interessante. Ela é um pedido de desculpas da autora.

Himeumi é uma menina bonita e admirada pelos colegas, sendo considerada até uma princesa. Ela tem boas notas, é gentil com todos, se veste super bem... Nada mais natural do que ela ter uma queda pelo colega que é considerado um príncipe, Oujiyama. Ela considera que para sua vida ser perfeita só o que falta é namorar com ele! Entretanto, um dia na aula de Educação Física, Wakikawa, outro de seus colegas, acaba colidindo com ela com muita força. Isso faz com que os dois troquem de corpo!

Essa proximidade de Himeumi e Wakikawa, agora que estão com os corpos trocados, chama à atenção de Oujiyama, que começa a agir de forma estranha. Ele age com ciúmes e diz para Wakikawa (com Himeumi em seu corpo) ficar longe de Himeumi. Himeumi fica super-feliz achando que finalmente Oujiyama está apaixonado por ela e que assim que voltarem ao normal vai ter a vida escolar que sempre quis ter! Só que com o tempo, a convivência com Wakikawa a faz desenvolver sentimentos por ele também, deixando-a confusa.

Eventualmente, os dois conseguem voltar a seus corpos originais. Himeumi vê Oujiyama e Wakikawa discutindo e já imagina que é por causa dela, super-feliz por ter dois caras legais competindo por ela... Só que na verdade, os dois estavam brigando porque estavam em um relacionamento juntos! E Oujiyama, na verdade, tinha ciúmes de Wakikawa e não de Himeumi Em outras palavras, isso aqui que parecia um shoujo era, na verdade, um mangá yaoi narrado da perspectiva de uma garota. A autora encerra o mangá com um pedido de desculpas às personagens femininas dos mangás yaoi, pois, como estão em um mangá yaoi, elas jamais serão felizes. Interessante, não?

  

Isso é uma crítica que eu vejo muito por aí aos mangás yaoi: a forma que eles retratam as mulheres. Tenho certeza de já ter lido nas próprias resenhas do Faust ele comentando algo sobre esse assunto. Por isso, achei muito legal e criativa essa história da Harada, se referindo a essa situação. No final das contas, é yaoi. Não é shoujo. As meninas não vão ficar com o cara que queriam. Inclusive, o nome do mangá se traduz como "Nós Somos Coadjuvantes". A história é muito engraçada e divertida, além de ter um encerramento interessante que pode provocar discussões muito legais sobre essa trope dos mangás yaoi. Vou dar nota "9", porque realmente foi uma leitura muito legal.

Tradução em inglês do Must Be Endless.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Ever After

Contos de fadas com yaoi. É da est em. Uma versão surpreendentemente criativa de contos de fadas clichê. Leiam. É isso. Fim da resenha! Só que não, claro. 

São seis histórias, que são reimaginadas daquele jeito inusitado que só a est em consegue fazer! Vou comentar as três primeiras.

- Cinderella: ao invés da gata borralheira com as irmãs malvadas, temos apenas um cara normal atolado de trabalho que vai a uma festa com temática BDSM numa boate e encontra um príncipe, que se apaixona por ele ao ser dominado por ele. Como o príncipe Albert vai encontrar seu amado Ellard? Através do sapato, é claro.

- Chapeuzinho Vermelho: Akazukin é o único de sua família que visita a avó doente. Na verdade, todos estão esperando a velhota morrer de uma vez para ficarem com a herança. E a avó tem consciência disso. Ela conhece um homem que ela sabe que só quer o dinheiro dela, mas como ela odeia a própria família mais ainda, decide deixar toda a grana pra ele. Entretanto, Akazukin sabe como se vingar do cara... Essa história eu achei perturbadora e brilhante. Fiquei de queixo caído.

- Pequena Sereia: Um empresário que está planejando a construção de um resort encontra um rapaz que diz ser uma sereia e que está ali para fazê-lo desistir da construção. Claro, o empresário não acredita muito no que ele diz, mas o comportamento misterioso dele e suas ambições o fazem ficar inclinado a acreditar...

As outras três são Bela e a Fera, Princesa Kaguya (ou Princesa do Bambu) e Carmen. São muito legais também, mas as três primeiras são demais. Até porque eu não conheço as fábulas originais das duas últimas, mas, mesmo assim, não acho que tenha atrapalhado a leitura. Gostei bastante delas. Adorei como a autora pegou a ideia básica de cada uma dessas histórias super conhecidas e as transformou em oneshots modernas e interessantes. Chapeuzinho Vermelho me surpreendeu muito, de como foi macabra e bizarra, mas de um jeito fascinante! Não sei se é um mangá que todo mundo iria apreciar (os mangás da est em são bem polarizantes, pelo que eu vejo), mas eu achei um exercício criativo muito interessante da autora.

  

Acho que não tenho o que dizer... Simplesmente digo que recomendo muito a leitura, pela simples razão de proporcionar algo diferente do que a grande maioria dos mangás que tem por aí. Vou dar nota "9", porque é impossível dar uma nota baixa para um trabalho dessa autora. Ela faz mangás que podem não agradar a todos, mas ela é tão talentosa que é preciso reconhecer o quanto as histórias dela são excelentes... Mesmo num tema como "contos de fadas"!

Tradução em inglês por Seraphic Deviltry. Eu li no aplicativo Manga Rock para celular de algum leitor online. Fácil de achar por aí.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Jackass! - Sawatte Ii tte Dare ga Itta yo?

Não sei muito bem o que comentar desse mangá. Eu gostei de Jackass!. Não é nenhuma história brilhante, mas é um mangá yaoi com várias cenas safadas e com personagens divertidos. O que mais que uma fujoshi pode querer?

Hara Keisuke é um estudante do ensino médio. Apesar da sua aparência um tanto intimidadora, na verdade, ele é um rapaz dedicado aos estudos e ao seu trabalho. Ele vive somente com sua irmã há vários anos, desde que seus pais faleceram, e ele não quer dar incomodá-la mais do que ele considera que já incomoda. Katsumi e Shinoda Masayuki são seus grandes amigos. Katsumi é abertamente gay e sofre bullying por causa disso na escola, o que não o impede de tentar um relacionamento com o enfermeiro da escola, já Shinoda é um rapaz rico, bonito e despreocupado que volta e meia troca de namorada, por não querer nada muito sério.

Um dia, quando Keisuke está se vestindo para a aula de educação física, ele se vê vestindo uma meia-calça, pois, pelo visto, a meia-calça de sua irmã foi parar no meio das coisas dele. Shinoda percebe e consegue causar uma distração, para os outros colegas não perceberem o que houve com Keisuke. Só que quando Shinoda olha bem para Keisuke de meia-calça, ele fica extremamente interessado... É assim que o romance dos dois começa. Keisuke está relutante desde o começo, justo por conhecer bem o quão volátil Shinoda é. Já Shinoda diz ter visto as pernas perfeitas e quer vê-las mais e mais vezes!

Enquanto esses dois têm cenas lindas de smut e brigam pra caramba, também há um subplot que eu achei muito bonitinho sobre o Katsumi. A história dele vai se desenrolando concomitantemente com a história principal. Katsumi está tentando desenvolver um relacionamento com o enfermeiro da escola, como eu já comentei, e há um colega dele, Miyoshi que fica atrapalhando, chegando ao ponto de tentar chantagear Katsumi para terminar com o enfermeiro. Como Katsumi é um personagem auto-confiante que não se abala com nada, esses breves momentos sobre ele foram muito divertidos! 

  

Eu gostei do mangá. Não é nada demais. É só um yaoi safado, cheio de cenas explícitas, com o bônus de ter personagens muito legais e uma história agradável. Se eu for pensar bem, há algumas coisas que eu não curti muito, mas não quero pensar demais. É um mangá yaoi pra não se pensar muito profundamente sobre, apenas aproveitá-lo. Por isso, nota 9!

A tradução dos primeiros capítulos em inglês foi feita pelo grupo Sals Scans e o grupo Bro Scans finalizou a tradução.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Complex

Eu não ando lendo muitas coisas ultimamente (traduzir e editar tem tomado muito do meu tempo...), mas vi que alguém upou Complex num site e resolvi reler. Eu tenho um carinho muito grande por esse mangá, porque foi um dos primeiros mangás yaoi que eu li. É uma montanha russa emocional pra mim. Eu rio, eu choro, eu reviro os olhos, eu fico com raiva... Gente, quatro volumes que têm muito a contar!

Primeiramente, o sumário básico de Complex em sites como o Baka Updates não faz justiça à história. A maior parte desses sumários se refere somente ao primeiro capítulo e passa uma idéia muito errada do que o leitor deve esperar ao ler esse mangá. Complex é uma série que, apesar de não ser muito longa, acompanha seus personagens ao longo de suas vidas, começando em sua infância até suas vidas adultas, sendo o último capítulo com os personagens já na velhice. É uma história complexa. Sobre amor, sobre homossexualidade, sobre gênero, sobre aceitação, sobre amizade, sobre família... Uma diversidade de temas são abordados nessa história. 

O sumário pouco explicativo básico dessa história é esse aqui, que eu vou complementar depois: Tatsuya e Junichi são alunos da quinta série que são amigos desde que eles conseguem se lembrar. Tatsuya é um menino alegre e atlético, sendo muito querido pelos colegas. Junichi o admira e gostaria de ser como ele, bem como o tem como um amigo muito querido. Entretanto, na escola que eles estudam, há um professor pedófilo que está interessado em Tatsuya. Ele, com a ajuda de uma outra aluna da escola, Yumi, sequestra Junichi para atrair Tatsuya e poder molestar os meninos. Sim, eu sei o que vocês estão pensando. Esse capítulo realmente assusta, mas felizmente os dois conseguem se livrar do professor. Eles ficam traumatizados pelo incidente, o que é abordado a seguir.

  


Nos próximos capítulos, a história melhora MUITO de nível. Agora, os dois estão no ginasial, no início da puberdade, e sofrendo todas as confusões que essa fase da vida causa. Junichi se sente deixado para trás por Tatsuya, que está crescendo mais rápido que ele e mudando de voz. Em contrapartida, Tatsuya não quer crescer, porque ele considera que são os adultos os que fazem coisas cruéis como o que o professor fez com ele quando criança. Por ter também muita raiva de Yumi, a menina que manipulou os dois no primário, ele fica com raiva de mulheres de uma forma geral e cada vez mais se vê obrigado a confrontar seus sentimentos por Junichi.

Essa parte da história de quando os personagens são adolescentes é muito legal de ler, em função dos conflitos, temores e sentimentos típicos dessa fase da vida. Apesar de coisas trágicas acontecerem, como o acidente que impede que Tatsuya volte a jogar futebol, a amizade e o amor que um tem pelo outro faz com que eles consigam passar por esses momentos. Já quando os dois estão na faculdade, eu diria que eles estão em lua de mel... Porque é a fase mais alegre e divertida do mangá. Os dois estão curtindo as amizades, as aulas e o tempo um com o outro, apesar de as decisões para o futuro estarem pairando a vida deles, conforme eles se aproximam de se tornarem, de fato, adultos - como eles ansiaram a história toda.

Quando eu era uma fujoshi besta de 14 anos e li esse mangá pela primeira vez, eu desgostei muito do rumo que a história tomou. Mas hoje, quase dez anos depois, relendo a história, eu gostei muito do que a autora fez aqui. Foi um grande sofrimento para os personagens? Foi. O romance deles foi interrompido e passou por grandes dificuldades? Sim. Os dois personagens precisaram tomar rumos diferentes e não necessariamente tomaram as decisões certas nesse ponto da história... Mas quem toma decisões 100% corretas o tempo todo? Esse mangá é tão real para mim. As burrices que as pessoas cometem, as coisas que precisam fazer mesmo que não queiram, como destroem as próprias vidas para depois reconstruí-las... Não quero dar spoilers, mais do que já dei, mas essa parte do mangá, para mim, foi a mais difícil de ler - porque é amarga, triste, complicada, sem um resultado em que todo mundo possa ser totalmente feliz -, mas também a que soa muito real. Conforme a história evolui, entretanto, vai se tornando progressivamente mais agradável e doce (os capítulos do ponto de vista do Kenta, uma criança e um dos protagonistas da história em seus dois últimos volumes, são muito legais).

  

Eu diria que esse mangá é uma tentativa de mostrar um amor de uma forma real, enfrentando diversas dificuldades plausíveis e possíveis de acontecer. Essa história não tem heróis nem vilões, somente personagens cheios de qualidades e defeitos. Eu gosto muito de como os personagens mudam, crescem e amadurecem conforme a história progride. A história tem seus momentos tristes, felizes, românticos... E é muito bem balanceado. Se eu tivesse que apontar algo negativo para dizer, eu diria que a arte é algo que incomoda. Como é um mangá de 1996, a arte é antiquada. Eu acho que a história é tão boa que a arte, apesar de seus problemas e inconsistências, se torna tolerável. Vou dar nota "9", porque esse mangá é, com certeza, uma leitura interessante, no mínimo. O final do mangá é lindo (e daí se é clichê? Chorei litros e amei) e o último capítulo é como se fosse um álbum de fotos, mostrando vários momentos da vida de todos os personagens. Os comentários da autora sobre as decisões que ela tomou enquanto escrevia a história também são legais de ler e vários deles explicam e justificam várias reclamações dos fãs.

A tradução em inglês foi feita há milênios pelo Obsession. 

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Fusoku no Renjou

Foi o Faust que me recomendou esse há bastante tempo. Eu finalmente descobri como o grupo que traduz em inglês funciona e consegui baixar os capítulos novos. Mandei pro Faust e ele teve um troço também! Fujiyama Hyouta é uma ótima autora e Fusoku Renjou é um dos melhores mangás dela.

Miyata Kazuomi trabalha como editor numa revista e seu projeto mais recente é conjunto com uma grife de artigos de couro, cujo dono se chama Ikura. A vida profissional de Miyata vai muito bem, mas ele está com dificuldades em sua vida amorosa: ele não consegue esquecer seu antigo namorado e isso faz com que seus relacionamentos atuais não deem certo. Ao sair de um bar, onde foi afogar as mágoas, ele encontra Ikura, descobre que ele é bissexual e acaba revelando para ele que é gay. Isso podia ser apenas um incidente constrangedor, mas o que acaba acontecendo é que Ikura fica muito interessado em Miyata e o convida para sair. 

O mais legal desse mangá, cujo título pode ser traduzido como "Amor Inesperado", é que Miyata e Ikura não tem nada a ver com o outro. Na verdade, Ikura é justo o oposto do tipo de cara que Miyata gosta, mas ele insiste para que Miyata lhe dê uma chance e segue insistindo para que os dois saiam juntos. Nem todos os amores são a primeira vista (nem a segunda, nem a terceira) e o relacionamento de Miyata e Ikura é construído, apesar da relutância de Miyata em aceitar Ikura em sua vida. Eu gosto bastante do contraste da personalidade dos dois e da sensação real que essa história dá. Os personagens conversam como pessoas adultas (o que eles são) e discutem seus problemas, conflitos e sentimentos. 

Esse mangá, na verdade, é relacionado a outro trabalho da autora, Junjou. Mesmo sem ter lido Junjou (eu li, mas faz muuuito tempo), dá para entender perfeitamente a história e quem são os personagens. Na verdade, eu diria que independente da ordem de leitura, é interessante, porque o Miyata aparece com funções bem diferentes em ambas as histórias e isso permite conhecê-lo melhor como personagem. Ver a história com o ponto de vista do Miyata aqui faz as ações dele em Junjou serem mais compreensíveis e possíveis de empatizar (vou ver se releio Junjou logo para comentar aqui também!). 

  

Eu considero, honestamente, o Miyata um dos meus personagens favoritos num mangá yaoi (outro deles é o Shio, desse mangá que o Faust comentou, e outro é de outro mangá da Fujiyama Hyouta), porque ele é um personagem cujas ações fazem todo sentido do mundo. Em certo momento, a minha vontade era dar uma bronca no Ikura por não compreender o Miyata, mas, felizmente, um personagem desse mangá fez isso por mim! Vou dar nota "9", porque esse mangá é quase perfeito para mim.

A tradução em inglês foi feita pelos grupos Harudaki e Fairy Rose.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Café Latte Rhapsody

Depois de ler um shoujo que me deixou super-tensa e curiosa, agora li um yaoi que é tão bonitinho e... reconfortante, acho que essa é uma boa palavra! É Café Latte Rhapsody, simplesmente o mais fofo dos mangás da Kawai Touko. 

Quando eu vejo alguém falando sobre esse mangá é tipo "sfdgsfa fofooooo awww tão foooofoooo". Basicamente, resume tudo! Mas, tá, vamos à história~! Serizawa trabalha em uma livraria e lá um cliente chama a atenção dele, por ser um cara muito alto e com uma aparência exótica e intimidadora. Os dois conversam na livraria e Serizawa descobre que o rapaz, Keito, apesar de parecer assustador à primeira vista, na verdade, é um querido e os dois começam uma amizade, que não tarda a evoluir para algo mais. O relacionamento deles é uma gracinha, muito fofo mesmo, e as únicas coisas que atrapalham o casal são o ex-namorado de Serizawa e a própria insegurança de Keito.

Eu gosto muito das personagens femininas desse mangá... Na verdade, foi isso que me fez reler: vi um tópico de alguém pedindo por mangás yaoi que retratassem as mulheres de forma positiva. Tem bastante discussão por aí sobre mangás yaoi serem misóginos, pois as mulheres costumam ser as vilãs que atrapalham o romance dos pobres menininhos e tal. Mas, enfim, esse aqui não é um deles! A Riri-chan e a Okano-san são umas gracinhas, também adorei a Tazaki-san e o design dela.

  

Também gostei muito dos personagens principais. Tanto o Serizawa quanto o Keito são doces e formam um casal bonitinho e romântico. Acho que não tenho nenhuma crítica a fazer, porque esse mangá é uma gracinha mesmo. É uma história boa de ler, desde que não se chegue com grandes expectativas, porque é uma história curta e romântica, e só. Vou dar nota "9". Eu queria escrever mais, mas acho que não tenho mais o que acrescentar! É bonitinho! Leiam! E só!!

O grupo que traduziu foi um pessoal da comunidade do livejournal, Toko Kawai's Community.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Cherry Boy, That Girl

Acho que corro o risco de parecer racista com esse comentário, mas o que me fez durante muito tempo evitar manhwas é que os nomes dos personagens são muito parecidos para mim. Felizmente, Cherry Boy, That Girl facilitou minha vida com nomes bem fáceis de lembrar como vou comentar abaixo. O nome do (a) autor (a) é South Ant.

Strawberry Shin é uma das poucas estudantes mulheres de uma escola que costumava ser só para meninos. Como ela é a mais bonita, ela acaba sendo idolatrada pelos colegas e tratada como uma celebridade. Mesmo curtindo a admiração dos meninos, ela já tem um namorado desde o ginasial, Mandarin Kim, que é, inclusive, mais bonito que ela. Os dois acabam brigando, por Mandarin gostar de tirar sarro de sua namorada e por Strawberry gostar de flertar com outros meninos. Strawberry decide, então, sair com Pear Kang, um menino rico e popular. Mandarin, por sua vez, se veste como mulher e começa a frequentar a escola com a identidade de Cherry Kim, se tornando a menina mais popular da escola, sobretudo após os colegas descobrirem a personalidade narcisista, arrogante e egoísta de Strawberry. 

Inicialmente, esse mangá foi muito cômico e seus personagens até pareciam ser meio maníacos, pelo jeito que agiam. Mas, aos poucos, a história foi tomando um rumo mais profundo e sério. Várias coisas que a maioria dos mangás shoujo que há por aí tratariam como provas de amor, esse mangá problematizou, sobretudo a forma que Mandarin passou a tratar Strawberry e a fazer com que ela fosse excluída e odiada na escola. Isso não é legal e não é nem um pouco saudável para um relacionamento, e é assim que esse manhwa lida com a história. Eu gostei muito da Strawberry, ainda que no início ela tenha sido uma personagem difícil de aturar, por causa desse comportamento extremamente egoísta e arrogante dela. Conforme ela sofre, sendo traída inclusive por sua amiga Lime Moon, e conhece outras pessoas, como o Walnut Kang (melhor personagem do manhwa. Ponto), ela muda e se torna cada vez mais legal.

Eu gostei muito do final da história... Não me aguentei e fui procurar na internet como terminava. Pra não esmiuçar muito e estragar a surpresa, só digo que as questões problemáticas foram tratadas como tal e não houve nenhum amor milagroso. Pelo contrário, os romances desse manhwa foram construídos progressivamente conforme a história se desenvolvia. Eu amei o final, o que posso dizer mais?

   

Em suma, recomendo a leitura, porque esse é um manhwa que surpreende. Nenhum personagem é tão simples como aparenta à primeira vista. Apesar de toda comédia e da arte bonitinha, essa história pode ser muito séria. Nota 9.

Eu li a versão em inglês do Easy Going Scans no leitor online deles.

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Mairunovich

O capítulo traduzido mais recente de Mairunovich acabou num cliffhanger tããããão frustrante que resolvi falar desse mangá pra me ajudar a lidar com o que eu estou sentindo em relação a esse mangá. Eu fui ler esse shoujo, cuja autora se chama Sato Zakuri, com algumas expectativas, que foram imediatamente desmanchadas, mas mesmo assim acabou sendo um mangá bom!

Kinoshita Mairu tem um nome bonitinho e ela sempre pede desculpas por isso, porque ela, na verdade, é feia. Os colegas a chamam de cogumelo venenoso e debocham dela, seu irmão a trata com desdém, e ela não tem nenhuma amiga na escola. Um dia, ela enche o saco desse tratamento e resolve mudar para a melhor. Para isso, ela pede a ajuda de Fuwari-chan, sua vizinha (que é uma transsexual), e do menino mais popular da escola, Kumada Tenyuu, sendo que, na verdade, é ele mesmo quem dá um empurrão para que Mairu mude e aprenda a gostar mais de si mesma.

Mairu quer ser uma menina que os meninos admirem e deseja muito ter um namorado. Nesse mangá, acompanhamos o percurso dela e seus relacionamentos, enquanto ela tenta se tornar feliz e uma pessoa melhor. Por um lado, isso é muito legal. Por outro, a Mairu pode se tornar bastante irritante e fútil em alguns momentos, mas dá pra relevar isso, na minha opinião, quando se considera que ela é uma menina com baixíssima auto-estima e que está aprendendo a lidar com outras pessoas, já que ela mal consegue lidar consigo mesma. Um ponto que eu gosto muito nesse mangá é que, assim como Cat Street ou Cherry Boy, That Girl, a protagonista não fica fixada em um único menino a história toda. Mairu sai com caras diferentes e tenta "seguir em frente", ao invés de ficar sofrendo. Isso nem sempre dá certo, mas ela tenta, pelo menos! Quando eu disse que o que eu esperava desse mangá não foi bem o que aconteceu, foi exatamente em relação a personalidade da Mairu: eu achei que ela ia ser má com os meninos que a maltrataram, mas ela é uma heroína com um bom coração. 

Um aspecto do mangá que eu adorei foi o relacionamento dela com o Tenyuu. Inicialmente, Mairu olha para ele como se ele fosse seu anjo da guarda ou um deus, inclusive o chamando de "mestre", e Tenyuu a trata com pena e tem um certo senso de obrigação com ela, pois foi ele que deu aquele empurrão inicial para que Mairu mudasse. Mas, aos poucos, eles firmam uma verdadeira amizade. Ao contrário de Koukou Debut, em que o relacionamento de Haruna com You começa de forma similar ao de Tenyuu e Mairu e logo desenvolve um romance entre os dois que vai durar os próximos, sei lá, doze volumes do mangá, em Mairunovich, Mairu e Tenyuu, até onde eu li, pelo menos, não têm sentimentos românticos um pelo outro. Os dois são amigos mesmo, o que é legal de ver. Mesmo que por acaso essa história acabe evoluindo para um romance entre os dois, acho que já foi legal esse mangá ter mostrado um menino e uma menina que conseguem ser grandes amigos sem que um tenha um amor não correspondido pelo outro. Aliás, parece que as coisas estão se encaminhando para que Tenyuu tenha um relacionamento com Ayano, uma amiga/rival de Mairu, que é uma das personagens que eu mais gosto nessa história! Apesar de malvada, ela sempre faz rir e volta e meia diz algumas verdades que Mairu precisa ouvir (como sobre como o namorado dela não tem direito de se meter nas amizades dela, que eu acho que foi um grande conselho de amiga... Ai contrario da Fuwari-chan, que disse para a Mairu que o namorado estava certíssimo em exigir isso dela...).

  

Pra mim, esse mangá é nota "9" por enquanto e vamos ver como os próximos volumes vão se desenvolver! Já está finalizado no Japão e as scanlations têm um ritmo constante, então estou ansiosa para ver como vai acabar. Só pelas ilustrações, que são uma gracinha, já vale a pena ler. Eu adoro as capas desse mangá! Apesar de ser um shoujo e ter vários exageros/clichês desse gênero de mangás, Mairunovich é um mangá com uma sensação bastante real e personagens bastante humanos e complexos. Por isso, acho que vale muito à pena ler!

Os grupos HaruHime e Matteiru Scans trabalham nesse projeto em inglês.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

One Thousand and One Nights

Esse manhwa é conhecido por outros nomes além desse que eu coloquei no título: 1001 Nights, Cheon-il-Yahwa, e A Night of a Thousand Dreams. Acho que, independente de qual seja o título correto, é fácil ver de onde esse manhwa tira sua inspiração: a história das mil e uma noites em que Sherazade entreteve o sultão para adiar sua própria morte. Esse manhwa foi escrito por Jun Jun Suk e ilustrado por Han Seung Hee.

O jovem sultão, Shahryar, chama uma jovem mulher virgem de seu harem a cada noite para dividir a cama com ele. Após passar a noite com ela, o sultão a executa na manhã seguinte. Todos que habitam aquele lugar temem pela vida de suas filhas e irmãs. Dunya, a irmã de Sehara, um comerciante e tradutor de diferentes idiomas, é chamada para ser a acompanhante do sultão naquela noite, mas Sehara resolve assumir seu lugar para evitar que sua irmã seja morta. Assim, ele conta uma história para o sultão, tentando convencê-lo a poupar a vida de sua irmã. Por mais que Shahryar resista, a história o faz refletir e ele não só poupa a vida de Sehara como o transforma em seu bardo real, para seguir lhe contando histórias.

As histórias que Sehara conta são interessantíssimas. A primeira, por exemplo, é sobre uma princesa chinesa que desafia seus pretendentes com enigmas, para evitar de se casar, e sobre um príncipe que, desesperado para salvar seu reino, decide desafiar a princesa. Algumas das histórias de Sehara são baseadas em fatos históricos, como quando ele conta a história de Cleópatra ou de Sócrates e Alcibíades. Outras se baseiam em lendas, como a do lenhador e do "anjo" que ele aprisionou ou a dos deuses hindu Shiva e Kama, com algumas modificações e reimaginações.

Apesar de as lendas e histórias tomarem boa parte do mangá e, na minha opinião, serem uma das partes mais interessantes, a história do sultão e de seu bardo real também são muito legais de ler. É bonito como o relacionamento deles progride lentamente, e como a relação que os dois estabelecem se baseia em confiança. Sehara consegue explorar e compreender os traumas de Shehryar que causaram seu comportamento violento, através da figura de sua mãe e de seu grande amor, Fatima. 

  

Esse manhwa é um pacote completo: histórico, dramático, cômico, romântico... Há tanto relacionamentos "yaoi" como heterossexuais na história, o que é sempre interessante de se ver. Além disso, as ilustrações são muuuito lindas. Para mim, a arte estava especialmente bonita na história de Cleópatra. Vou dar nota "9". É engraçado que na primeira vez que eu li esse manhwa há alguns anos o meu inglês era muito pior que hoje em dia e eu não entendi o final, sendo que, por isso, não gostei do fim. Mas agora que eu reli, acho que consegui entender e interpretar melhor o final e posso dizer que gostei bastante!

A editora Yen Press publicou os 11 volumes em inglês há vários anos, por isso é fácil de achar as scans por aí.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

The Gamer

Quem me recomendou esse mangá - ou melhor, manhwa - foi o namorado de uma amiga minha, mas eu sempre esquecia de ler The Gamer... Não sou muito fã de webcomics, nem de manhwas... Mas esses dias eu tava com insônia e acabei lendo. 

Han Jee-Han é um estudante do colegial que desenvolve um poder especial: ele começa a viver a vida como se fosse o personagem de um RPG. Quando sua mãe lhe pede pra comprar algo na padaria, ele recebe uma quest. Quando ele estuda, ele ganha pontos de inteligência. Quando ele olha pros seus colegas, ele consegue ver seus níveis e seus atributos. Ele também consegue passar de nível, distribuir atributos, coletar itens e desenvolver skills nvoas! Acho que todo mundo que já jogou um RPG alguma vez na vida vai entender do que Jee-Han está falando, já que ele é um viciado por jogos.

No início da história, apenas acompanhamos nosso protagonista conforme ele vai explorando e aprendendo mais sobre essa habilidade estranha que ele adquiriu. Até que um dia ele acaba vendo uma menina, Kwon Shi-Yun, lutando contra um homem misterioso, Hwan Sung-Gon, com níveis muito mais altos que ele. Isso faz com que ele busque a ajuda de um colega que também possui um nível alto, Shin Sun-Ii, pra entender mais a respeito desse mundo estranho no qual ele está se metendo. Ele aos poucos descobre que algumas pessoas são como ele e possuem "habilidades naturais" para fazer coisas incríveis e outras são como Sun-Ii que adquiriram poderes através de treinamento e determinação.

Além disso, existem vários perigos agora que ele está envolvido com esse mundo de pessoas com poderes sobrenaturais. Por isso, Jee-Han decide se tornar mais forte para conseguir se proteger desse possíveis perigos. Entretanto, isso é uma faca de dois gumes, pois quanto mais forte ele fica, mais propenso ele se torna de chamar à atenção dos vilões. Além disso, ele promete curar a doença de sua colega Hwan Sung-Ah, o que se mostra uma tarefa muito mais complexa e perigosa do que inicialmente parecia ser. 

    

Eu acho que esse manhwa, assim como o anime Sword Art Online, por exemplo, é o tipo de coisa que qualquer um que já entrou em contato com algum RPG alguma vez na vida irá adorar. Além disso, é sempre legal ver uma história na qual o protagonista cresce e acaba se tornando cada vez mais forte. Estou curiosa pra ver onde que essa história vai ir... Por enquanto, vou dar nota "9".

Eu li a tradução para o inglês dos grupos LINE Webtoon e Manga Cow no Manga Traders.