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sexta-feira, 28 de março de 2014

Gaysome!

É uma web comic bastante conhecida por aí, sendo escrita por David (Dong Saeng) e publicada no blog dele. Há muita gente que gosta, mas também há muitos opositores pelos mais diversos motivos. Gaysome! é uma web comic com momentos engraçados, bem como momentos em que realiza algumas críticas à nossa sociedade.

Não existe um enredo maior, apesar de alguns personagens aparecerem em mais de uma tirinha. São apenas charges, comumente com quatro quadrinhos, apresentando alguma situação referente a ser gay, com personagens gays ou se referindo à comunidade gay de uma forma geral. Muitas vezes há algumas cenas mais explicitas, mas é tratado de uma forma tão casual que nem incomoda. O autor refere que algumas situações retratadas por ele são autobiográficas, outras aconteceram com conhecidos e outras foram inventadas por ele. E, realmente, essa web comic é bastante verossímil.

Apesar disso, enfrenta várias críticas por estar perpetuando e glorificando estereótipos. Não sei se sou só eu, mas os estereótipos não me incomodaram muito, por me parecer que web comic pretende satirizar a realidade. Na real, a própria história já comentou a existência de estereótipos e criticou seu uso, também falando da representação de pessoas homossexuais na mídia... Algumas vezes, as tirinhas também debocham dos pensamentos, atitudes e comentários que a grande mídia e a população em geral faz sobre ser gay e, assim, a história coloca o leitor para refletir um momento, em meio as risadas.

Eu adoro quando essa comic retrata situações que, muitas vezes, são romantizadas ao extremo nos mangás yaoi, trazendo comentários sobre o que é a realidade nesses casos. Há situações sobre sexo casual, sobre relacionamentos duradouros, sobre a relação com a família, sobre o ativismo LGBTTT (não sei se acertei a sigla ou faltou um "T"), sobre intimidade, sobre... Enfim, muitos assuntos! Apesar de o cenário retratar, como eu disse, personagens gays, é muito fácil de se identificar com algumas situações trazidas.

 

De um modo geral, muitas situações ao longo da história são um tapa de luva na cara de alguns autores que há por aí. Eu acho a arte muito bonita e divertida, sendo que o autor retrata personagens com aparências, etnias, estilos diversos. Vou dar uma nota "9" para essa web comic. 

Essa web comic é originalmente publicada em espanhol no blog, tendo também uma versão em inglês e uma em português.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Starfighter

É engraçado falar sobre essa comic, porque eu ouvi falar dela pela primeira vez em um lugar chamado Wiki de Web Comics Ruins (tradução livre minha). Starfighter é uma história slash (versão ocidental do yaoi) de ficção científica, com uma arte bastante única. Seu autor usa o pseudônimo HamletMachine.

Em Starfighter, a humanidade está enfrentando uma guerra espacial, com naves espaciais, lasers e toda essa coisa de ficção científica. Assim, o exército se divide em dois grupos: os navigators e os fighters. O primeiro grupo são navegadores e pilotam a nave, considerados mais inteligente e um tipo de elite dentre os soldados. Já o segundo grupo fica responsável por utilizar a armas da espaçonave e desintegrar os adversários. Cada espaçonave tem dois responsáveis, um de cada grupo. Nossa história começa com um navegador e um fighter sendo colocados juntos em uma missão, recebendo os nomes "Cain" e "Abel" para tal.

Cada dupla divide um dormitório e passam muito tempo juntos. Cain é automaticamente agressivo e possessivo para com Abel, fazendo uma cicatriz (invejo o poder dos dentes dele!) em Abel para mostrar que ele, agora, é seu. Os dois vão na tal missão juntos e Cain já começa a falar aquelas frases clássicas: "não me atrapalhe" e "vou te deixar para trás se começar a me atrasar". Eu gostaria de saber como, exatamente, ele pretende deixar o Abel para trás, já que os dois vão dividir o mesmo veículo e, mais, o Abel é quem pilota... Mas ok. Missão concluída com sucesso, o Abel se prepara para sair da nave e dá de cara com Cain se masturbando... Porque, aparentemente, destruir naves e matar inimigos é altamente excitante. Tá, ok. De volta ao dormitório, Cain confronta Abel, porque ele resolveu ajudar um fulano lá durante a missão e o Cain disse que não havia permitido isso e tal. Abel responde que não vai receber ordens do Cain, o chama de monstro... E os dois acabam transando, após Cain declarar: "Oh, Abel... Eu vou foder você". 

Esse tipo de cenário é o que o Tv Tropes chama de "Tango do Masoquismo" e eu não acho que exista um termo melhor para definir essa relação de amor e ódio, de abuso e violência, que parece fornecer ganhos secundários para ambos os envolvidos. Eu tive alguma esperança de que Abel ia ser um personagem legal, forte e com uma personalidade interessante quando ele enfrentou o Cain... Mas essa determinação durou dois segundos e ele já foi para a cama com um cara emocionalmente instável, violento e que trata ele mal... Super-fez sentido! Volto ao meu argumento de que detesto personagens abusivos e o Cain é um perfeito exemplo disso. Ele estupra o Abel, outras pessoas riem do Abel por estar com o Cain e aí por diante. E o pior? O Abel se culpa (e é culpado pelos outros) pelo estupro, além da linguagem misógina estar presente constantemente. E sabe o que é pior? A mensagem de que "está tudo bem com o Abel ter sido estuprado, porque na verdade ele queria transar com outro homem há muito tempo" e "Cain pode ser um abusador, mas olha como ele é sexy e lindo". Esse é o tipo de coisa que contribui para a "cultura do estupro" e dessensibiliza as pessoas em relação aos efeitos traumáticos de tal violência (NOTA: eu não estou dizendo que quem lê Starfighter ou coisa similar se torna estuprador. Estou dizendo que o estupro ser tratado como algo leviano dessensibiliza os leitores e banaliza uma situação de violência). Aos poucos, entretanto, a autora começou a retratá-lo de uma forma mais... Simpática? Especialmente no capítulo 3 (a partir da página 84, para ser bem exato). O fandom de Starfighter pirou com o capítulo 3 e parece que o Cain acabou se redimindo por tudo (na real, o fandom nunca culpou ele por nada). O único personagem que falou algo que fez sentido nessa história foi o Praxis: "Abel talvez queira um fighter que não é um psicopata controlador?" e "você pode ser o melhor fighter da estação, Cain... mas ainda assim é um merda"... Para em seguida fazer um comentário preconceituosos sobre ciganos. Logo quando eu acho que vai melhorar...

  

Ufa. Post grande de novo. Não quero ser um hater. Acho que tudo bem gostar de Starfighter (ou de qualquer outra coisa), mas não dá pra esquecer dos problemas que há nisso. Eu gosto dessa web comic e a acompanho há bastante tempo, só que eu tenho que reconhecer que há muitas situações problemáticas e o que eu gosto não é necessariamente perfeito. Não estou aqui sacudindo bandeira para que as pessoas deixem de gostar de alguma coisa, mas sim para que elas parem e pensem sobre as mensagens que aquilo está transmitindo. Aliás, quem estiver procurando uma leitura puramente erótica vai curtir. Das quase 50 páginas do primeiro capítulo, umas 15 têm sexo. E é bastante explícito. Vou dar uma nota "4" com muito pesar, porque eu realmente gosto da arte. O efeito preto e branco com alguns detalhes coloridos (tipo Sin City) funciona muito bem. Se eu quiser ser muito chato (e eu quero), vou dizer que não gosto muito do layout das páginas e da disposição dos quadrinhos, mas prefiro recomendar essa resenha aqui para aspectos mais técnicos da arte. Preciso dizer, aquela cena de guerra do capítulo 3... Uau! Muito, muito boa!

A web comic pode ser lida em seu website em inglês.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Tripping Over You

Acompanho essa web comic há algum tempo e simplesmente adoro. O slogan de Tripping Over You é "uma (reconhecidamente neurótica) história de amor gay em formato web comic" e acho que é simplesmente fantástico e descritivo. Sendo publicada desde 2011, essa história é de autoria de Suzana Harcum e Owen White.

Os protagonistas são Milo Dunstan, parte do grupo de teatro, extrovertido e super-falante, e Liam Schwartz, que é ansioso pra caramba. A história começa com Milo convidando Liam para sair pela cidade, tomar um café e olhar uma loja de discos... Liam aponta o quanto o Milo é popular e sociável, sendo que Milo aproveita a oportunidade para encher Liam de perguntas sobre sua vida amorosa e encerra dizendo que acha que os dois tem de sair mais juntos. Esse foi o prólogo da história que tem seis capítulos e é atualizada duas vezes por semana. 

A história mesmo começa com Liam pedindo a ajuda de Milo por causa de uma garota. O Milo, que já tem sentimentos pelo Liam, acha que vai ser o "wingman" dele ou algo assim e já começa a ficar chateado com a história. No fim, a garota, Chloe, era o interesse amoroso do amigo de Liam. Ao descobrir isso, Milo acaba confessando seus sentimentos por Liam. Achei legal que há uma página com Liam recapitulando vários indícios que Milo havia dado antes sobre seus sentimentos e que ele não havia percebido. Apesar disso, o Liam não aceita muito bem inicialmente os sentimentos de Milo, achando que está sendo zoado e dizendo ter nojo do beijo dos dois. Eventualmente, Liam é convencido a participar da festa de Halloween e é nesse momento que o relacionamento dele com o Milo começa a mudar.

Acho legal que logo no início vemos que o Liam, apesar de ansioso e temeroso ao seu pai, tem um lado desafiador em si, visto que ele foi aos shows de sua banda favorita escondido, mente e segue firme nas decisões que toma, mesmo que possam a vir desagradar seu pai. O elenco de personagens secundários é muito legal também. Archie, o melhor amigo de Liam, tem alguns momentos bem engraçados, e é legal ver personagens femininas fortes como a Penny e a Noel. Me incomoda a falta de ética profissional do psicoterapeuta, que conta tudo sobre as sessões para o pai controlador e severo de Liam, mas eu tento pensar "ok, é só ficção" e não me importar tanto com isso (se bem que o Milo aponta para o Liam o quanto isso é inadequado e ilegal). Ele meio que se redimiu um pouco num capítulo recente...

  

Eu adoro essa web comic! Sempre lembro de dar uma olhada para ver as páginas novas. Tem momentos bem engraçados, outros mais sérios, outros que só dá vontade de dizer "awww que fofo!"... Tanto o Liam quanto o Milo (quanto os personagens secundários) são muito interessantes e me fazem querer ler mais e mais. Vou dar nota máxima, "10", porque eu simplesmente adoro essa história!

A webcomic pode ser lida em seu website: http://trippingoveryou.com/.